Blog Ilton Muller

Voos salvam indígenas em aldeias isoladas da Floresta Amazônica

Gramadense Christiano Wiltgen, piloto de helicóptero, vive experiência humanitária no Acre

Os voos panorâmicos sobre a Região das Hortênsias e a cidade do Rio de Janeiro não se comparam à experiência atual do piloto de helicóptero Christiano Wiltgen: voar por horas sobre a Floresta Amazônica, transportando índios que precisam de socorro médico. É uma missão profissional e humanitária que orgulha Christiano, nascido em Novo Hamburgo, mas que residiu em Gramado na adolescência. Os pais Sílvia e William Wiltgen ainda residem em Gramado.
Ele está há um ano na cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, trabalhando para a Tri Táxi Aéreo, empresa de Canela contratada pelo Ministério da Saúde para socorrer indígenas que precisam de atendimento médico de urgência. “As aldeias são muito distantes. De barco, eles levariam diversos dias para terem um atendimento médico. De helicóptero o socorro chega em uma ou até duas horas”, relata Christiano.
Ele formou-se piloto de helicóptero em 2001 na Escola de Aviação Civil – EAC, no Aeroclube do RS, no bairro de Belém Novo em Porto Alegre. Aos 20 anos, obteve a habilitação de piloto de helicóptero, conquistada antes mesmo da habilitação para motorista de carro.
Depois de formado, atuou como instrutor em escola de formação de pilotos em Piraquara, no Paraná. “Foi uma experiência muito boa, que me proporcionou muitas horas de voo e me capacitou ainda mais para a profissão”, afirma Christiano. Depois atuou em uma grande empresa de táxi aéreo voando predominantemente em serviço de táxi aéreo, fretamentos e voos panorâmicos no Rio de Janeiro.
Atualmente, Christiano trabalha na Tri Táxi Aéreo, com sede em Canela, onde trabalhou também fazendo voos panorâmicos, fretamentos e serviço de táxi aéreo, antes de ir para o Acre. A empresa mantém este serviço atualmente na região.

Estar sempre preparado para a missão
Christiano afirma que precisa sempre estar preparado para decolar para uma aldeia indígena. Isso inclui calcular a distância e a quantidade de combustível, para garantir a autonomia de ida e volta, estar ciente das condições climáticas, etc.
“Quando aparece uma ocorrência, tenho que calcular quanto tempo vou levar, quanto de combustível vou precisar, sempre com uma margem bem grande. Ao contrário de voar em centros urbanos como no Rio Grande do Sul, em que sempre estamos sobrevoando uma cidade ou próximo de uma, aqui no Acre, as cidades são muito distantes. Voamos sobre a mata, sem nada de apoio possível por terra. Tenho que estar sempre preparado, com uma margem extra de segurança. Tive que aprender os macetes da Amazônia. Por conta de ser imensa, tem um clima particular e as previsões nem sempre acertam. Já ocorreu de eu estar voltando para a cidade e não conseguir pousar por causa do temporal e tive que procurar outro local para pousar”, relata o piloto.
Quando voa, sempre está atento a locais no solo que podem servir para um possível pouso. “Quando encontro uma clareira, já registro a localização para caso de necessidade, no futuro”, afirmou.
A tarefa, basicamente, é ir na aldeia, embarcar o índio na aeronave e levá-lo até Cruzeiro do Sul, onde está o hospital. Em algumas viagens ele é acompanhado de enfermeiro. Em outras, ele leva médico e enfermeiro até a aldeia. A missão é ajudar índios que estão isolados em suas aldeias. Os resgates ocorrem em situações como mordida de cobras, fraturas, etc, em aldeias muito isoladas no meio da Floresta Amazônia.
 

Me sino um privilegiado”

“Graças a Deus, só tenho boas experiências na região. Apareceu a oportunidade de estar servindo ao povo indígena, abraçamos a causa. Trouxemos o helicóptero. Saindo do extremo sul para o extremo oeste do país, cuja cidade mais a oeste do Brasil chama-se Manso Lima, que é ao lado de Cruzeiro do sul”, relata Christiano.

Segundo ele, “o povo acreano chama de inverno a época das chuvas, que é mais para o final do ano, quando chove muito, aumentando o nível dos rios e muitas vezes alaga áreas da cidade. No meio do ano, é a época da seca, o verão daqui. Tem lugares que não se chega nem de barco devido à seca dos rios.”

“Me sinto um privilegiado de estar aqui nesta missão. O helicóptero faz a diferença”, afirma.

 

Família se adaptou bem
Nesta missão no Acre, Christiano tem a companhia da esposa Renata Cristina Paes Wiltgen, e do filho Nathan, 4 anos. Quando chegaram na cidade, a pandemia estava no início e existiam muitas restrições. Agora com a normalidade se restabelecendo aos poucos, está melhorando. “O povo aqui é muito afetivo e sempre disposto a ajuda”, afirma Christiano, citando que o abastecimento da cidade é dificultado pela distância entre as cidades (ela fica mais de 700 quilômetros da capital). Cruzeiro do Sul tem 89 mil habitantes e área de 8.779,19 km² (10,1 habitantes por quilômetro quadrado). O tamanho equivale a 37 vezes a área de Gramado.

Faz divisa com o estado do Amazonas (norte); o município de Porto Walter (ao sul); com Tarauacá (a leste) e com os municípios de Mâncio Lima, Rodrigues Alves e com o Peru (a oeste). Cruzeiro do Sul é banhado pelo Rio Juruá, de águas barrentas e navegáveis, que divide o município em dois distritos. O nome Juruá é de origem indígena, é uma derivação do nome "Yurá", usado pelos indígenas que habitavam suas margens. O rio nasce no Peru e, com 2 410 quilômetros de extensão, é o 43º maior rio do mundo.

“O Estado inteiro não tem montanhas, apenas morros. A Linha Bonita, em Gramado, já é gigante perto dos morros que temos aqui. Praticamente o estado inteiro é plano, porém repleto de muita natureza, área muito rica de fauna e flora”, comenta o piloto.

As cidades são bastante isoladas. “A estrada termina em Cruzeiro do Sul. Existe um plano de construir uma estrada que ligará com o Peru, que vai ter uns 150 km até Pucallpa”, revela o piloto.



Surpresa para menino
No dia 18 de junho, Christiano viveu um momento emocionante e especial, ao proporcionar um voo panorâmico para Riquelme da Silva, 11 anos, que construiu um helicóptero de brinquedo e sonhava conhecer uma aeronave. Riquelme é morador de localidade rural no interior da cidade de Rodrigues Alves.

Confira essa reportagem em https://www.iltonmuller.com.br/blog/p/tri-taxi-aereo-de-canela-realiza-sonho-de-menino-no-acre-604

 

Crédito das fotos: Arquivo pessoal de ChristianonWiltgenFamília;

Família;

A cidade na época das chuvas;

Amaônia

Ponte de acesso a cidade Cruzeiro do Sul, o Centro com a catedral no meio da foto;Mau tempo na viagem;

 

 

 

Tags:No Acre

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