Blog Ilton Muller

Tio Berato, exemplo de amor ao tradicionalismo gaúcho

Ele teve participação na construção da primeira mangueira da sede campeira do CTG Manotaço

Na semana em que ocorre o 44º Rodeio Crioulo do CTG Manotaço, de Gramado, lembramos de uma figura carismática e bastante relevante para a preservação do tradicionalismo gaúcho em Gramado. É Liberalino Ribeiro da Silva, conhecido como Tio Berato, que nasceu na localidade de Barreiro, no 1º Distrito de Bom Jesus, nos Aparados de Cima da Serra, no dia 7 de setembro de 1904. Ele faleceu em 4 de julho de 2009, aos 104 anos. No dia 6 de setembro de 2006, foi homenageado com uma festa nas comemorações de seus 102 anos (acima, cópia do convite da festa).

 

Cidadão e nome de rua no Mato Queimado

Em 2000 recebeu o  título de Cidadão Gramadense, concedido pela Câmara de Vereadores. .Tio Berato também foi homenageado com o nome de rua que inicia na rua Francisco José Rodrigues (junto à entrada da cancha de laço do CTG Manotaço), com uma extensão aproximada de 400 metros, e segue até o início da estrada do Parque dos Pinheiros.

Filho de Ramiro Francisco da Silva e Maria Ribeiro da Silva, foi o filho mais novo de uma família de seis irmãos, sendo três homens e três mulheres. Veio residir em Gramado em 1958.

Na infância brincava de laçador. Com aproximadamente oito anos, tropeava descendo a Serra até Torres, com mulas carregadas de charque e na volta trazia açúcar mascavo, rapadura, cachaça e arroz vermelhinho. Em outros momentos partia para Caxias do Sul levando couro, lã e queijo, retornando com sal.

Dos 12 aos 25 anos residiu e trabalhou na Fazenda Eucalipto, ainda no município de Bom Jesus, de propriedade de seu padrinho capitão Alexandre Xavier Leite Foi neste período de sua vida que Tio Berato conheceu todos os detalhes da vida campeira e de tropeirismo.

Aos 19 anos participou da Revolução de 23, indo com os Maragatos lutar em meio a um grupo de aproximadamente 600 homens. Com a Revolução de 30, mais uma vez precisou se afastar da lida no campo, indo ao Rio de Janeiro para depor o presidente Washington Luis, num batalhão de voluntários.

Em 1958 veio residir em Gramado para trabalhar como gerente de uma fábrica de esquadrias. Mais tarde comprou uma fábrica de móveis em sociedade com Orlando Moraes e depois como autônomo em sua própria residência onde produzia carretéis de madeira e mesas para fondue.

O amor às tradições gaúchas o aproximou do CTG Manotaço, participando da construção na primeira mangueira na sede do Mato Queimado. Esse convívio com tradicionalismo permitiu que valorizasse uma das suas grandes paixões e habilidades, tocar violão.

Casou-se com Maria José Boeira de Lima com quem teve os filhos Alexandre, Clécio, Nelsi e Onira. Ficou viúvo depois de 15 anos de união, casando-se posteriornente com Maria Cândida Rodrigues. Tiveram dois filhos, Salete e Patrícia. . 

 

Fonte: Acervo da Câmara de Vereadores de Gramado, com pesquisa da historiadora Marilia Daros (in memorian)

Foto: reprodução de convite do 102º aniversário de Tio Berato

Tags:GRAMADO - 70 ANOS EM 2024 (14)

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