Blog Ilton Muller

O aposentado Luiz Meinhart coleta latinhas e faz um bem ao meio ambiente

Atividade que executa desde 2001 ajuda a complementar a renda familiar


Os passos são apressados, a coleta é silenciosa e cuidadosa nas lixeiras e o resultado é gratificante: alguns sacos com latinhas de alumínio que garantem uma renda extra ao aposentado Luiz Meinhart, 60 anos, morador do bairro Piratini, em Gramado. Essa rotina ele cumpre diariamente, menos nos dias chuvosos e nas quartas-feiras, que ele  escolheu para descansar. “Mas quando não trabalho num dia, daí não descanso na quarta”, afirma Luiz, como ocorreu nesta semana. Choveu na terça e fez o serviço de coleta na quarta. “Ele fica muito ansioso quando não consegue sair para trabalhar”, afirma a esposa Maria Sebastiana.
Luiz define seu trabalho como “gratificante”, não só pelo rendimento, mas pelo bem que ele fez ao meio ambiente. “Tudo que eu recolho ia para o lixo”, afirma o aposentado.
A rotina é quase sempre a mesma. Sai de casa por volta de uma hora da tarde e sobe para o Centro. No caminho vai coletando as latinhas. No Centro da cidade deixa o carrinho no pátio de uma residência e, com sacos na mão, faz quase sempre o mesmo trajeto: Rua São Pedro, Borges de Medeiros, Avenida das Hortênsias e outras ruas centrais. “Caminho uns 13 quilômetros todo dia”, relata Luiz. A parte da manhã ele se dedica para retirar o lacre das latinhas e amassá-las com um pedaço de pau. Tudo manualmente e com rapidez. Os lacres das latinhas, apesar de terem bom preço no mercado, ele retira e doa para a dona Diva Masotti, conhecida por suas ações sociais em Gramado como na Paróquia São Pedro e na Liga Feminina de Combate ao Câncer. “É bom poder ajudar”, comenta Luiz,  

Natural de Vila Oliva (Caxias do Sul), veio para Gramado em 1979 para trabalhar quando tinha 18 anos. Passou por indústrias de calçados como Ortopé e Samore, de móveis como Dinnebier, no Supermercado Cesa e na construção civil. “Fui servente de pedreiro. Quem quer ganhar o pão de cada dia, não pode escolher serviço”, comentou. A disposição para trabalhar é visível no seu andar rápido pelas calçadas do Centro da cidade. Sem tempo para conversa.
A coleta de latas de alumínio (cerveja e refrigerante) começou de forma despretensiosa. Ele recorda que quando trabalhou com serviço de capina nas ruas de Gramado, contratado por um empreiteiro, recolhia algumas latinhas e vendia. Viu que isso podia resultar em um dinheiro a mais e, então,  passou a fazer esta coleta com mais frequência. “Quando trabalhei de pedreiro já recolhia no caminho entre o trabalho e a minha casa. Até ia para o Centro de noite. Quando me aposentei, passei a fazer mais seguido”, comenta
Luiz Meinhart está nesta atividade desde 2001 para complementar a renda. “Enquanto eu tiver saúde, vou fazer. E graças a Deus consigo viver bem”, comenta. Nos primeiros anos teve a companhia de um cachorro grande, chamado Negão. “Era todo preto e bem manso. Não incomodava e nem assustava ninguém”, recorda. Morreu envenenado numa noite em que o animal ficou do lado de fora do pátio da casa. Depois teve um cão pequeno, o Scooby-Doo, que foi encontrado abandonado em um mato. Também foi sua companhia no trabalho até morrer envenenado. Agora Luiz tem feito as coletas solitário.

Pandemia afetou ganhos
As latas recolhidas são vendidas para um reciclador de Gramado. A pandemia afetou os seus ganhos porque não ocorrem mais bailes e eventos. Ele recorda que em festas na Linha Nova (Baile da Moto) e na Serra Grande (Baile do Fuca), recolheu mais de 100 quilos de lata em cada evento. Luiz recorda, ainda, que teve sacos de latas roubadas em duas oportunidades, quando deixava o carrinho atrás de uma loja no Centro da cidade. “Fiz uma coleta e deixei no lugar de sempre. Saí para mais uma caminhada e quando voltei tinham levado tudo”, afirmou.
Ele lamenta, também o fato das pessoas não separarem os produtos recicláveis como latinhas e plástico, do restante do lixo. Se separassem, podiam  o que facilitaria o trabalho de coleta. De todos os estabelecimentos no Centro da cidade, somete dois restaurantes separam as latinhas para ele. Estabelecimentos interessados em oferecer latinhas para Luiz e ajudar o meio ambiente podem contatá-lo pelo telefone (54) 9 9962-4672.

Esta reportagem encerra a série relacionada à Semana do Meio Ambiente. A proposta foi destacar exemplos de pessoas que fazem um bem ao meio ambiente através de sua atividade e habilidade.

Crédito das fotos: Ilton Müller

Tags:Meio Ambiente e Trabalho

Confira outros posts

Cátia Martins é formada há oito anos e tem dois empregos
Câmara de Gramado se reúne com Executivo sobre Taxa de Turismo
Canela está perto de ter serviço do Procon

Cadastre o seu e-mail para receber nossas notícias e novidades!