Publicado em: sexta, 12 de março de 2021 às 14:26
Diva Masotti, primeira vereadora de Gramado
Essa reportagem encerra a série sobre o pioneirismo e protagonismo das mulheres
A atividade comunitária sempre esteve presente na vida de Diva Maria Masotti, descendente de família tradicional de Gramado. Foi esta vocação que a levou a ser a primeira mulher vereadora no município, em 1973 Filiada à Arena – Aliança Renovadora Nacional (que depois foi sucedido pelo PDS chegando ao atual Progressistas), ela aceitou o convite para concorrer. “O pessoal insistiu muito e aceitei”, afirmou Diva, que foi eleita com 308 votos. Na época os vereadores não eram remunerados. Depois de eleita, seguiu na vida pública como secretária municipal de Assistência Social de 1984 a 1988.
Mas Diva não é só reconhecida como primeira vereadora. Sempre envolveu-se na vida comunitária de Gramado. Na Igreja São Pedro integra o Movimento de Cursilhos de Cristandade e na Liga Feminina de Combate ao Câncer, da qual é ex-presidente e uma associada assídua. “É uma pena que com esta pandemia a gente não consegue se encontrar. Sinto falta das reuniões da igreja e das mulheres da Liga”, comenta. Como voluntária da Liga ela comemora cada vitória do grupo. A mais recente é a conquista da sede própria em um dos chalés do antigo Parque Hotel (atual Centro Municipal de Cultura).
Diva sempre teve o reconhecimento da comunidade pelos serviços que prestou voluntariamente. Uma das homenagens é o título de sócia-honorária do Rotary Club de Gramado, honraria concedida inclusive para quem não é sócio do clube.
De Caxias para Gramado
Diva nasceu em Caxias do Sul e veio para Gramado com os pais Irineo e Dalice Masotti quando tinha dois anos. A família se estabeleceu na Linha Bonita , onde se dedicou à atividade rural. “Que tempo difícil aquele. A gente trabalhava na roça de manhã até de noite”, recorda. A propriedade da família não tinha acesso à atual estrada Linha Bonita-Linha Nova. Por muitos anos o acesso ao Centro se dava por uma estrada que passava próximo ao atual Golf Club (Mato Queimado).
A família Masotti fundou a fábrica Doces Masotti, empresa que completou 70 anos em 2019. A empresa foi vendida em 2009 mas o nome permanece até hoje como um patrimônio da cidade.
Diva afirma que até para montar a indústria foi difícil, pois não existia energia elétrica, A produção era tocada por um gerador e caldeira a vapor. A energia elétrica só chegou em 1971. A indústria incentivou a produção de frutas no município.