Blog Ilton Muller

O bom exemplo de Gramado ao vacinar a população em geral

Não só Gramado. Municípios que provavelmente enfrentam maiores embaraços já avançaram para a população em geral, por idade. Já em Canela...

A semana anterior encerrou com duas ótimas notícias, com relação ao avanço do plano de vacinação em Gramado e Canela. Mas uma delas anima mais que a outra.
Gramado, num só dia, em sistema ‘drive-thru’, vacinou 700 profissionais de escolas municipais e estaduais. No mesmo dia, anunciou o avanço para outros públicos, como caminhoneiros, servidores das forças de segurança e público em geral, com idades entre 55 e 59 anos.
Canela anunciou o início da vacinação de profissionais da educação, das redes pública e privada, divididos em grupos. Serão dedicados 3 dias para cada grupo, iniciando, em 04 de junho, com os trabalhadores da educação infantil e culminando, em 16 de junho, com os das escolas de idiomas.
Sob todos os aspectos, a notícia de Gramado é mais satisfatória, além de indicar uma gestão mais racional das vacinas, neste momento.
Gramado vacinou 700 trabalhadores da educação em apenas um dia. Aparentemente, a gestão municipal da cidade vizinha considera necessários 3 dias para atingir meta semelhante. Para que esse raciocínio fosse correto, teria que haver, em Canela, três vezes mais trabalhadores de escolas municipais e estaduais. Mas, somando todos os grupos de trabalhadores da educação, tem cerca de 1.160 pessoas.
Esse mesmo raciocínio levou Canela a elaborar um calendário de vacinação que consome metade do mês só com essa categoria, sem avançar para os grupos prioritários subsequentes, tampouco para a população em geral com idade inferior a 60 anos.
Não foi só Gramado. Municípios que provavelmente enfrentam maiores embaraços, como Canoas, Porto Alegre e Esteio, já avançaram para a população em geral, por idade.
Ao dizer que em todos aspectos a gestão em Gramado foi, neste momento, mais assertiva, refiro-me àqueles setores que, durante a pandemia, atraem mais a nossa atenção: saúde e economia.
Sem desprezar os grupos prioritários, para a economia local seria importante, o quanto antes possível, vacinar também a população em geral mais jovem, responsável pelo maior volume da força de trabalho e pela movimentação de todos os setores econômicos.
Sob o enfoque da saúde pública, como essas pessoas costumam circular mais, também seria importante estarem, na medida do possível, imunizadas, contendo a disseminação do vírus em diversificados setores. Além disso, é crescente o número de jovens adultos em internações por covid-19.
Por outro lado, trabalhadores de escolas de idiomas sequer integram os grupos prioritários contemplados pelo Plano Estadual de Vacinação contra Covid-19, que se refere a trabalhadores da educação básica e superior. A grosso modo, legalizaram o fura-fila para um grupo bem específico de pessoas. Convenhamos que, se fosse para exercer a criatividade, faria mais sentido priorizar trabalhadores de hotéis e restaurantes, por exemplo.
Entendo que o conceito de prioridade é vago, incerto. Varia de pessoa para pessoa, naturalmente. Mas algumas gestões municipais sobre o plano de vacinação contra a covid-19 estão quebrando todos os paradigmas e desafiando o bom senso. Isso sem falar em fura-filas, que é caso de polícia, e não de subjetivismo.
Falando em polícia, Gramado vai iniciar a vacinação dos servidores das forças de segurança. Pelo calendário canelense, esse mesmo grupo terá que esperar os professores de inglês. Sorry. Prioridades...

Tags:Coluna Emerson PinheiroOpinião

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