Blog Ilton Muller

Nanci Vaccari de Medeiros é uma artista inquieta e intensa

Ela confecciona bonecos de vestir para empresas e eventos. Também compõe, pinta, esculpe...

Apesar de ter motivos de inspiração na família, foi quase por acaso que Nanci Vaccari de Medeiros tornou-se uma artista plástica. Ela trabalhava na filial da Paramount Textil (indústria francesa), em Canela, quando criou três personagens para a festa de Natal da empresa. O sucesso foi muito grande entre os funcionários. Quando saiu da empresa, abriu uma loja de artesanato de pano (bonecos, pesos de porta, decoração, etc) que funcionou entre 1992 e 2005 na Rua Felisberto Soares (em frente a Caixa Econômica Federal).
Os bonecos de vestir entraram na vida dela por incentivo do designer Paulo Cardoso, em 1993. “Ele veio na minha loja com a ideia de um boneco para o primeiro Chocofest, em Gramado. Era para divulgar o evento no Congresso da Abav, um ano antes do evento ocorrer”, recorda Nanci. Nasceu ali o Chocolito, um gnomo que teve a companhia de outros personagens nos anos seguintes. O personagem “ganhou vida”, naquela ocasião, segurando no colo a bebê Laura, de seis meses, filha de Nanci e do contador Fábio de Medeiros.
Nanci cita que o Chocofest foi um grande impulsionador da sua carreira. E ela recorda que Sílvia Zorzanello (falecida em 2010), idealizadora do evento ao lado de Marta Rossi, ajudava na concepção dos bonecos. “Ela tinha o olhar de criança”, afirma Nanci.

Festa do Mel, Doce Natal e mascotes para empresas
Nanci já criou diversos personagens, muitos deles presentes na memória afetiva de muitas pessoas. Ela cita os personagens e a decoração da Festa do Mel, em Pinhal, São Leopoldo Fest, Oktoberfest de Igrejinha e Um Doce Natal, em Rolante. “Em Pinhal, uma advogada me disse que a decoração lhe relembrou a infância. Isso deixa a gente muito feliz”, afirma a artista plástica. Além de personagens para eventos, ela tem criado mascotes para diversas empresas. Ela destaca que os bonecos de vestir devem ser confortáveis para quem vai usá-lo de forma que possa interagir com as pessoas.
Na confecção dos bonecos de vestir ela usa materiais como tecido, espuma, arame e fibra. Ao moldar a cabeça (sem usar capacete de motoqueiro, como é comum) é preciso acomodar um pequeno ventilador no interior da peça. Ela explica que todos os bonecos precisam ter a boca aberta, pois é por ali que quem veste enxerga. “E precisa movimentar os braços para se equilibrar e interagir”, explica a artista plástica.

Carnaval e bailes da Comenda
O talento artístico de Nanci Vaccari de Medeiros ultrapassa a criação personagens, mascotes e decoração de eventos e estabelecimentos comerciais. Ela já se responsabilizou pela decoração dos Bailes da Comenda, evento tradicional do Clube Serrano em Canela. Também se dedicou ao Carnaval, com a criação de fantasias, alegorias, carros alegóricos e enredos de blocos de Carnaval de Canela (Saimo Sem Querê!) e de Gramado (Velhinhos Transviados). “Sou tricampeã do Carnaval de Canela”, orgulha-se Nanci.
Também foram criados por ela os bonecos gigantes que ficavam sobre o prédio da Secretaria de Turismo de Canela, na década de 90, divulgando o Natal, Páscoa, Temporada de Inverno e a Primavera. Na época a secretaria se situada na Praça João Correa, onde hoje é a Casa do Papai Noel. Saiu das mãos dela o Papai Noel da altura do Centro de Feiras que ornamentou a entrada da Feira de Verão (do Borjão) numa ocasião, 

A arte está no seu DNA
Nanci segue os passos do avô materno e dos pais. O avô João Clímaco Pires era escultor, consertador de gaitas (acordeons) e relógios, além de músico. O Waldomiro Armando Vaccari, fazia desenhos de grafite com perfeição e a mãe Roma era habilidosa e criativa na arte do bordado. Dona Roma também escrevia peças de teatro para rádio novelas, com apresentações dominicais e ao vivo na Rádio Clube. “Meu pai e minha mãe se conheceram no palco, representando teatro em 1946”, afirma Nanci. O casal integrou o primeiro grupo de teatro de Canela, idealizado por dona Catharina Bertolucci Viezzer junto com o cônego João Marchesi, em 1947. O grupo Circulistas era formado por jovens que ensaiavam no Círculo Operário.
Esta veia artística tem levado Nanci a se dedicar a outras atividades, como a escultura e pintura. Também escreve poesias e emoldura com lajotas a calçada da residência, até colocando a mão na massa. É dela e do marido uma árvore em cimento confeccionada no pátio. Ao lado da casa dela foi construída uma casa que Nanci pretende transformar em um espaço cultural e de convívio, quando a pandemia passar. “Cada vez mais vamos precisar nos reunir”, frisa.

Tags:Arte & Artistas

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