Publicado em: segunda, 22 de janeiro de 2024 às 15:16
Na década de 50, a Vila de Gramado tinha 4 bancos, 9 hotéis, 8 açougues, 1 advogado…
A força econômica de Gramado justificava a emancipação, conforme documento apresentado à Assembleia Legislativa, na época
Ilton Müller
Prosseguindo a série de conteúdos jornalísticos e históricos relacionados aos 70 anos de Gramado comemorados em dezembro deste ano, destacamos hoje a força econômica da Vila de Gramado na década de 50. Documentos históricos da época registram uma forte produção agrícola e diversos estabelecimentos comerciais e industriais:
Num dos trechos de correspondência encaminhada à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 15 de outubro de 1953, os líderes emancipacionistas escreveram:
“... sendo Gramado vastamente conhecido no Estado e no País pelo alto conceito de que goza como excelente e, mesmo, uma das principais estações de veraneio e de turismo do Rio Grande do Sul, desde a sua privilegiada situação topográfica e ao seu clima salutar situado a oitocentos e vinte sete (827) metros de altitude, presentemente num acelerado surto de progresso industrial e comercial, circundado por uma fértil e rica zona agrícola, conta, atualmente, com grande possibilidade de desenvolvimento”.
Conforme a correspondência de 15 de outubro de 1953, esta era parte da estrutura da voça na época:
PRODUÇÃO AGRÍCOLA (ANUAL)
1.280 toneladas de milho
700 toneladas de trigo
400 toneladas de uva
300 toneladas de feijão
250 toneladas de frutas diversas, em parte industrializadas
PRODUÇÃO PASTORIL
A produção pastoril consiste, principalmente, em suínos e gado leiteiro, predominando neste, a raça holandesa.
PARQUE INDUSTRIAL E COMERCIAL
Neste setor, presentemente em grande desenvolvimento, se salientam:
8 açougues
1 advogado
1 recebedor de álcool natural
5 alfaiates
19 armazéns de secos e molhados
1 artefatos de madeira
1 automóveis acessórios
1 automóveis recebedor
6 bailantes
4 banco agência
8 bares
8 barbearias
1 bilhar
1 bazar
5 botequins
3 cafés
3 lojas de calçados
1 cantina
1 carpintaria
2 casas de saúde
2 contadores
2 construtores
2 cooperativas
1 curtume
1 cutelaria
2 dentistas
1 depósito de lenha
4 depósitos de madeira
2 depósitos de materiais para construção
2 eletricidade em geral
1 empresa de transporte coletivo
2 empresas de venda de terrenos
4 fábricas de calçados
3 fábricas de doces
1 fábrica de escovas
1 fábrica de foguetes
1 fábrica de malas
1 fábrica de mosaicos
2 fábricas de móveis de madeira
2 fábricas de móveis de vime
4 fábricas de queijo
1 fábrica de vinho
1 fábrica de colchões
1 fábrica de vassouras e cadeiras coloniais
1 fábrica de refrigerantes
2 fábricas de ferramentas
1 fábrica de caixas de madeira
1 fábrica de salame
1 fábrica de brinquedos
1 farmácia
14 fazendas varejistas
8 ferrarias
2 fotógrafos
1 funilaria
9 hotéis
1 instituto de beleza
1 marcenaria
3 médicos com consultório
3 moinhos a cilindros
14 moinhos simples
1 oficina de consertos de rádio
2 oficinas mecânicas
1 olaria
1 padaria
1 posto de lavagem e lubrificação
1 representante comercial
1 salame, salsichas e outros
3 serrarias
1 tipografia
1 tornearia
1 torrefação de café
1 vendedor de aparelhos elétricos
2 sapatarias
(Fonte: Documentos do Movimento Pró-Emancipação de Gramado, do Arquivo Municipal de Gramado)
FOTO
A oficina dos irmãos Bezzi, Irio, Ilso e Ilto Bezzi, que na época se situava na Avenida Coronel Diniz (atual Avenida das Hortênsias. ( reprodução do Jornal Sentinela que na época circulava em Taquara)