Publicado em: quinta, 11 de março de 2021 às 15:57
Brizoleta do Carahá é parte da história do ensino em Gramado
Escola Municipal Padre Scholl envolve a comunidade da localidade
As características arquitetônicas do prédio de madeira e o envolvimento comunitário do passado ainda são mantidos na Escola Municipal Padre Scholl, na Linha Carahá, interior de Gramado. A vida escolar gira em torno da Brizoleta, prédio simples de madeira, inaugurado em 26 de setembro de 1962, no governo de Leonel Brizola. Edificações como esta fizeram parte do projeto de expansão do ensino primário no Rio Grande do Sul na década de 60. Atualmente, além do prédio de madeira, a escola conta com estrutura de material com duas salas de aula.
Na Padre Scholl, a Brizoleta hoje e? o espac?o de refeito?rio, “mas tambe?m de acolher todos os alunos, para uma conversa, um espac?o de cultura e aprendizagem”, comenta a diretora Elenara Lazaretti. No local estão, ainda, a direc?a?o e a documentac?a?o. O prédio foi tombada pelo Instituto do Patrimo?nio Histo?rico do RS, obrigando a sua preservação.
Horta escolar é cooperativada e tem 56 anos
Segundo Elenara, a escola ainda mantém trac?os das antigas Brizoletas, como o envolvimento das fami?lias na manutenc?a?o da escola. Ela cita como exemplo a horta escolar que e? mantida há 56 anos, numa atividade cooperativa com os pais que trazem o esterco, as mudas e ajudam nesse momento de pandemia a cuidar da mesma. “Usamos a horta tanto para ensinar a importância do contato com a terra para as crianças, quanto para ensinar conceitos de outras disciplinas. Há trabalhos com figuras geométricas, perímetro, área , história, ciências”, explica a diretora.
Na preparação da volta às aulas, os pais se envolveram, também, na pintura das salas e manutenção dos prédios. “É impossível falar da Escola Padre Scholl sem que sintamos orgulho, além de ser a única Brizoleta ativa no município de Gramado, ela ainda conserva sua identidade inicial: o engajamento familiar na manutenção da escola”, comenta Elenara, que é filha de Iraci Baretta, que por muitos anos foi professora e diretora da escola.
Apesar de ser uma escola rural, ela não tem enfrentado o êxodo característico do campo. Pelo contrário. O número de alunos tem crescido, principalmente por filhos de novos moradores que optarem deixar a zona urbana. A maioria é filhos de pais que residem na colônia e saem dali para trabalhar todos os dias na cidade.
Aulas remotas, mas coração presencial
Em 2020, considerando o contexto pandêmico que vivemos, a escola teve que adequar-se à nova realidade, “por isso as aulas ocorreram de forma remota, estreitando as conexões entre família e escola através de redes sociais e linhas telefônicas”, explica Elenara.
A escola atende desde a Pré- escola I (integra a educação infantil) até o 5º ano do Ensino Fundamental. Composta por turmas multisseriadas, a instituição de ensino conta com 38 alunos; duas professoras: Camila Machado Marci?lio e Mariluce Flores; Elenara Lazaretti, diretora; Nícolas Deobald, supervisor pedagógico; Maria Aparecida Ferreira, colaboradora.
“Ao completar 60 anos de história, a escola prova mais uma vez o quanto nos reinventamos: o quadro negro e o giz ainda fazem parte do dia a dia, mas dividem espaço também com as novas tecnologias. O mimeógrafo foi aposentado no início dos anos 2000, dando lugar ao Xerox. Essas transformações mostram o quanto evoluímos, porém a nossa essência, as nossas raízes continuam as mesmas: somos uma escola do campo”, conclui Elenara.