Blog Ilton Muller

Privado ou público, Hospital São Miguel deve priorizar o atendimento pelo SUS

Em sessão especial na Câmara, foram emitidos alertas para este fato e pedida transparência nas negociações por parte das proprietárias da casa de saúde

Como a maioria da população gramadense não possui um plano de saúde privado e o Hospital Arcanjo São Miguel desenvolve uma atividade pública relevante com recursos públicos,  o futuro da casa de saúde deve ser debatido de forma transparente e com a participação de toda a comunidade. E sem esquecer a manutenção dos serviços pelo Sistema Único de Saúde.

Estas foram algumas das questões abordadas na noite desta terça-feira (3) durante sessão especial da Câmara de Vereadores que debateu o futuro do Hospital Arcanjo São Miguel que está sob intervenção pública municipal 65 meses. 

O encontro detalhou a atual intervenção pública realizada pela Prefeitura de Gramado na gestão da Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas), entidade religiosa proprietária do imóvel.

A intenção do Legislativo foi sugerir um diálogo entre toda a comunidade e todos os poderes públicos no que se refere aos próximos passos do hospital. “Destacamos isso porque quando houve a intervenção a Câmara foi chamada. Na prática, queremos transparência”, atesta o presidente do Legislativo, vereador Professor Daniel (PT).

A transmissão da sessão especial está disponível no Facebook e no Youtube da Câmara de

Vereadores.

 

Diminuíram as justificativas para manter a intervenção

O secretário de Saúde, Jeferson Moschen justificou s intervenção municipal em fevereiro de 2018. “Houve a necessidade dessa ação pela causa principal da manutenção do serviço prestado. Hoje o hospital está saneado e, por isso, estamos tendo poucas justificativas técnicas e jurídicas para manter a intervenção. Mas já há a renovação da intervenção por mais 180 dias, no mesmo status em que ela está hoje, com a mesma comissão interventora. Sobre futuras negociações, há notícias de que há tratativas adiantadas, mas nada está firmado. O que se busca é um projeto que atenda os anseios da nossa comunidade”, aformou o secretário

 

Desapropriação do patrimônio que foi doado pela comunidade

O caminho é a desapropriação do patrimônio, disse o presidente do Conselho Municipal de Saúde, o médico César Maciel: “Minha luta sempre foi para que a saúde de Gramado tivesse as melhores condições possíveis. Gramado é uma cidade diferenciada. Nós estamos decidindo por outras pessoas, porque a maioria da população depende exclusivamente do SUS. Por isso que a importância pública é muito maior do que a privada”. Ele entende que a intervenção foi bem feita, bem assessorada. “Mas um dia vai chegar um fim. Só que veremos muita gente interessada não só no aspecto da saúde, mas também na área física do hospital. Acho, por isso, que se pode buscar um caminho de desapropriação daquela área. A gente sabe da importância das irmãs, mas também sabemos que aquela área foi doada e pertence à comunidade”, complementou.

 

Promotor de Justiça quer transparência das religiosas

O promotor de Justiça, Max Guazzelli, lembrou que antes mesmo da intervenção municipal, havia sido aberto um inquérito civil em 2013, em razão das falhas no atendimento à saúde, antes mesmo da Sefas ter assumido a sua gestão. “Os piores problemas aconteciam na emergência, e depois que a congregação assumiu continuaram as falhas. Entretanto, houve toda uma precariedade de gestão e eu não saberia explicar o porquê disso. Não podemos esquecer que atendemos ao SUS e aos conveniados. Antes da intervenção o hospital estava sucateado, era uma situação caótica”. O MP apoiou a intervenção diante das ameaças de fechamento da emergência e da UTI. “Fizemos uma inspeção sala por sala assim que a Prefeitura de Gramado interviu. E hoje temos a evolução das melhorias documentadas. Mas não podemos esquecer que embora o hospital seja privado, ele faz um serviço público”. Max Guazzelli disse esperar transparência da Sefas em caso de futura venda do patrimônio.

 

Venda depende da suspensão da intervenção

“Não existe nenhuma negociação do São Miguel que desconsidere o SUS. Sabemos que precisamos ver um novo rumo, mas só vamos fazer negócio ou dar anuência para algum negócio se tivermos toda segurança de saúde para o gramadense”, afirmou o vice-prefeito, Luia Barbacovi. Ele lembrou “que os resultados positivos da intervenção são notórios por meio de todo o melhoramento e da presença do setor público por meio de repasses e de emendas. Mas especialmente hoje nós temos o pertencimento, porque não importa se o hospital é privado, ele vai ser sempre de Gramado”. Luia frisou que “não existe nenhuma negociação do São Miguel que desconsidere o SUS. Sabemos que precisamos ver um novo rumo, mas só vamos fazer negócio ou dar anuência para algum negócio se tivermos toda segurança de saúde para o gramadense”.

Crédito da Foto: Paulo Vargas

 

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