Blog Ilton Muller

Marilaine Cavalli, de Gramado para Londres

Se preparou para estudar um ano na Inglaterra. Já são 23 de uma vida consolidada

Os familiares que permanecem por aqui nunca são esquecidos. E as Festas do Hotelito, o Festival de Teatro (participou da primeira edição com a peça vencedora, do Colégio Cenecista), o Clube Serrano, o Bar dos Metralhas, a Festa de Caravaggio e o Rock American Bar, todos em Canela, ainda fazem parte da memória afetiva de Marilaine Cavalli Chapman, que desde 1998 reside na Inglaterra. Nasceu em Gramado faz foi em Canela onde sempre se divertiu e estudou.
Movida por desafios e busca de formação profissional, Marilaine saiu de Gramado pela primeira vez aos 19 anos, quando foi trabalhar em Florianópolis. Era para ser uma temporada. Voltou cinco anos depois e foi trabalhar no Hotel Laje de Pedra para financiar o curso de Hotelaria da UCS.
Depois da formatura em Hotelaria, ela precisava aprender inglês rapidamente para tentar um vaga nos hotéis em São Paulo ou Rio de Janeiro. “Trabalhar no Copacabana Palace era o meu alvo, meu sonho”, afirma Marilaine que optou ir para Londres. “A minha intenção era morar na Inglaterra somente por um ano e meio, aprender inglês e voltar. Vim já com passagem (da Transbrasil) de volta para dezembro de 2000. Voltei pra casa no Natal e Ano Novo daquele ano mas com a certeza que queria ficar por aqui mais um pouco”, relata Marilaine. “A parte mais difícil já tinha passado, arranhava o meu inglês e, então, era hora de começar a aproveitar tudo o que estava disponível por aqui”, acrescenta.

“Com a cara e a coragem”
Marilaine afirma que não se preparou muito para residir na Inglaterra. “Me formei em março, arrumei as malas e vim. Cheguei na Inglaterra dia 28 de maio de 1998, com a cara e a coragem, de mala e cuia. Tenho duas amigas e irmãs gêmeas de Florianópolis que estavam morando aqui por algum tempo e elas foram a minha âncora no começo. Agora, uma mora na Austrália e a outra em Portugal”, relata Marilaine. “Sempre achei que cheguei na hora certa, no lugar certo. Nada foi planejado e eu levo esse lema comigo. Sou boa e honesta, portanto a vida vai me retornar o mesmo favor”, destaca.
Ela cita que, na época, a intenção era voltar ao Brasil em 2002, depois de completar o curso de Hotel Management e fazer o estágio de um ano no Hilton London Kensington). No entanto, trabalhou no Hilton Corporation por 12 anos.


Trabalho árduo
A vida de Marilaine na Inglaterra nunca foi fácil. “Ninguém acredita, mas cheguei aqui numa sexta- feira e fui trabalhar no sábado de manhã numa fábrica de massas com três italianos, uma inglesa e uma portuguesa. Não entendi nada que a portuguesa falava mas entendia um pouco os italianos por causa da minha herança familiar”. A primeira remuneração foi para devolver o empréstimo feito pelo pai.
Duas semanas depois, uma portuguesa lhe passou um trabalho de faxineira na casa de uma família francesa. “Trabalhei com eles por cinco anos e eles foram a minha família aqui. Morei na casa deles,  viajei pra Paris, Dordogne e Corsica com eles. Eles me fizeram ser parte da família deles”, afirma, agradecida. No começo ela trabalhava das 8h às 12h na fábrica de massas e das 14h as 18h na casa da família francesa por alguns meses. Na época ela tinha um visto de turista por seis meses e usou todos este tempo trabalhando e juntando dinheiro para pagar a escola de inglês e para renovar o visto de estudante.
Marilaine começou  a estudar em setembro. Trabalhava das 6 às as 8h numa fábrica de sanduíches, estudava das 9h às 12h e das 14 às 18h trabalhava na casa da família francesa. “Vida puxada mas feliz”, frisa.
No momento, Marilaine trabalha como a assistente do cozinheiro-chefe de uma escola de segundo grau. Lá, as escolas  começam as 8h30 e funcionam até às 16h30. “Aqui as crianças levam o almoço ou almoçam na escola. E para as crianças pobres o governo paga o almoço pra eles. Às vezes essa é a única refeição que eles têm. Aqui também existe pobreza mas o sistema ajuda, mesmo antes da pandemia”, frisa.

Casamento e casal de filhos
Marilaine conheceu o marido Richard Chapman (é inglês/britânico) em 2001. “Ia voltar para o Brasil em 2002. Nunca voltei, nos casamos em Floripa em 2007 e temos gêmeos de 7 anos.
Olivia e Tobias que fazem aulas de português desde os 2 anos”, relata Marilaine. Há 10 anos a família reside em Guildford, uma cidade que fica distante 25 minutos (de trem) do coração de Londres.
Ela tenta  viajar ao Brasil pelo menos a cada dois anos para visitar os parentes, entre eles os pais Inês e Germano Cavalli que residem em Gramado há mais de 50 anos.
Ela recorda que os primeiros contatos com a família eram por carta e depois por telefone. “A gente marcava hora e dia e ligava., A família inteira se reunia para dar um “oi”. Depois veio o Skype e agora WhatsApp”, relata Marilaine, comemorando o avanço tecnológico que tornou os contatos mais frequentes e fáceis.

Tags:Tão longe e tão perto!

Confira outros posts

Vereadores conhecem estrutura da Apae Gramado no bairro Planalto
Concerto abre com brilho o 36° Natal Luz de Gramado
Coleta de lixo eletrônico ocorre na Vila do Sol, nesta sexta-feira (13)

Cadastre o seu e-mail para receber nossas notícias e novidades!