Blog Ilton Muller

Depois de ouvir servidor e secretário, Defensoria Pública aguarda posição oficial do município

Procedimento investiga entrevista com falas, supostamente, xenofóbicas e racistas de coordenador do Museu Major Nicoletti

Arquivar ou promover uma Ação Civil Pública contra os gestores municipais de Gramado. Estas são as opções para o procedimento instaurado pela Defensoria Pública de Gramado em relação às manifestações supostamente xenofóbicas e racistas do coordenador do Museu Major Nicoletti, Wendel Cardoso. O defensor público, Igor Menini da Silva (foto), ouviu na quinta-feira passada (26)

o servidor e o secretário municipal de Cultura, Ricardo Bertolucci Reginatto.

“O que vai ser feito – arquivamento ou a ação civil pública – depende das respostas e iniciativas que serão propostas pela administração municipal”, afirmou Igor. O prazo da resposta é de 10 dias, a contar de sexta-feira passada, encerrando, portanto, no domingo (5). O defensor abriu o procedimento e inquiriu Wendel Cardoso e Ricardo Reginatto a partir de entrevista concedida pelo coordenador do Museu a uma rádio web no último dia 11 de janeiro. Na ocasião ele fez referência à cultura local e aos atos ocorridos no dia 8 de abril em Brasília. “Recebemos mais de 200 representações e pedidos de providência relacionados a este fato, inclusive de movimentos sociais e culturais, de entidades nacionais e de empresas que mantêm relações com eventos no município”, afirmou Igor, referindo-se à repercussão negativa da entrevista. Com base na primeira denúncia, o defensor encaminhou correspondência à Procuradoria Jurídica do município requisitando “informações sobre o caso e eventuais providências a serem tomadas pela municipalidade”. Ao mesmo tempo convocou o servidor e sua chefia imediata (secretário da pasta) para prestarem esclarecimentos na Defensoria Pública, o que ocorreu na quinta-feira.

 

No depoimento, servidor admitiu equívocos

Na Defensoria, Wendel foi questionado basicamente sobre três pontos da entrevista, segundo Igor. Um deles foi com relação aos “valores e cultura” locais que as pessoas de fora, sobretudo os nordestinos, deveriam se adaptar. Wendel respondeu que se expressou de forma equivocada, citando que tinha relações pessoais com pessoas das mais diversas procedências. E que o pai era negro e baiano.

Com relação aos atos ocorridos no dia 8 de janeiro contra sedes dos três poderes (Palácio do Planalto, Congresso e STF), Wendel frisou que não apoiou os atos. Mas admitiu que se baseou em notícias falsas ao afirmar, na entrevista à rádio web, que uma idosa teria morrido na sede da Polícia Federal onde estaria detida após participar dos atos antidemocráticos.

No depoimento, segundo o defensor público, Wendel admitiu que a insinuação de que os ministros do STF teriam apoiado o presidente eleito nas últimas eleições foi baseada, também, em notícias falsas às quais teve acesso, sem averiguar a veracidade.

Já o secretário Ricardo Reginatto disse, em seu depoimento na Defensoria, que não compactua com as manifestações e que tão logo tomou conhecimento delas, advertiu o servidor.

“Se espera de qualquer pessoa, sobretudo de um servidor público da área da cultura, responsabilidade nas suas manifestações. Não pode falar coisas sem provas. Não pode reproduzir notícias falsas”, afirmou Igor. Na resposta que aguarda da Prefeitura, Igor quer saber se o município endossa as manifestações e que providências práticas tomou ou tomará.

 

Wendel emitiu nota de esclarecimentos

Nesta quarta-feira, em suas redes sociais, Wendel Cardoso publicou uma nota em que esclarece as suas falas. Confira, na íntegra:

“NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE ENTREVISTA RECENTE À GRAMADO NEWS

Fui mal interpretado na entrevista que concedi, pois não tive nenhuma intenção de ofender quem quer que seja, tampouco apoio atos antidemocráticos. Talvez a minha fala tenha sido mal compreendida, o que ocasionou uma falsa impressão quanto meus posicionamentos quando falei sobre a necessidade de excelência no atendimento ao público. Peço perdão caso alguém tenha se ofendido, jamais pretendi me referir à cultura de quem não é daqui. Falava de atendimento ao público.

Meus pais não são de Gramado, sou filho de um negro que veio da Bahia, eu jamais desdenharia das minhas origens que sempre me trouxeram tanto orgulho.

Um abraço a todos!”

Tags:Desdobramentos de entrevista

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